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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Desconserto
Minha existência, minha astúcia, minha não esperteza. Eu. Desafiei-me. Agora...bem, agora eu sinto como se estivesse dormente.Eu não sinto nada. Como se eu não contrariasse os meus chamados. Falecida, por dentro. E por fora, aos poucos desconsertando.
Água Mole & Pedra Dura
Eu nunca vou me esquecer. A ausência de um pedaço desta historia não tem como destruir o que sobrou. Estou esperando nessa mesma pedra que um dia a gente parou. As recordações estão me enlouquecendo e estou inteiramente sem oxigênio. Vem-me frutos de coisas banais e de momentos triviais. Tenho mesmo que esquecer... e sei disso. Vai ver é isso que vem me diminuindo e me fazendo pensar em saltar no amplo mar que assisto. A água reflete meus olhos entediados e consternados. Minhas lágrimas se juntam ao mar como minha existência por acaso se juntou um dia a sua, em alguma parte desse romance.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Malditas Mini-saias
Um dia me falaram algo que refletiu durante muito tempo dentro da minha cabeça. “Escritores não são aqueles que falam de amor. Escritores são aqueles hábeis a escrever sobre qualquer coisa. Sobre mini-saias, por exemplo. Quero assistir você fazer um texto respeitável sobre mini-saias”. Eu não soube fazer e pra falar a verdade, eu nem se quer realmente tentei. Achei que escritores narrassem cenários, episódios, amarguras, receios e enfim, o amor. Mas me contaram que não. E sabe o que eu acho sobre isso? Não quero regras pra escrever, pra desabafar. Eu não quero ser uma escritora.
Não quero abafar o hábito de completar sempre um texto, assim, falando de uma das únicas coisas que nós, criaturas superdesenvolvidas e inteligentes, não conseguimos entender, o amor.
Deixo para os grandes escritores o encargo de escrever sobre mini-saias. E tenho dito.
Dedicado a autora da frase : Maria Eduarda Araújo.
Não quero abafar o hábito de completar sempre um texto, assim, falando de uma das únicas coisas que nós, criaturas superdesenvolvidas e inteligentes, não conseguimos entender, o amor.
Deixo para os grandes escritores o encargo de escrever sobre mini-saias. E tenho dito.
Dedicado a autora da frase : Maria Eduarda Araújo.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Psicanalisando
Fazia frio, bastante frio, mas não daqueles de fazer congelar os dedos dos pés. Não chovia, nem tinham raios talhando o céu. Era um dia ordinário, sem muitas aventuras, como era de se aguardar. Menos pelo fato de que seria o dia da minha primeira consulta como o meu novo – e terceiro – psicólogo. Ao chegar à porta do tal consultório, toquei a campainha e protegi minha mão fria e úmida no bolso a fim de aquecê-la. Atendeu-me um senhor, bem velhinho, segurando uma bengala de madeira.
- Aqui é consultório do Dr. Alexandre?
- Não. Aqui é a residência do Sr. Vicente e você acaba de atrapalhar o sono dele.
E a porta se fechou e minha expressão também. O consultório era na porta ao lado, percebi isso depois que colocar os óculos e descobrir que o me parecia um 2, na verdade era um 3. Pronto, 153, não tem erro. E lá estava o Dr. Alexandre, abrindo a porta, me olhando com um sorriso bucólico. Ele era alto, seu cabelo era grisalho e estava totalmente em forma para sua idade. Usava uma roupa nem casual, nem formal. A verdade é que não parecia bem um analista e sim, um empresário.
- Carlos, certo? Entre, por favor.
- Sim, obrigado.
Seu consultório tinha uma iluminação perfeita. A luz era fraca e confortável para os olhos de qualquer um. Com um gesto gentil ele apontou para um sofá estilo Luis XV no meio da sala e pediu para que eu me deitasse. O sofá bege se posicionava de maneira em que eu não pudesse ver a grande poltrona de couro que ele em instantes se sentaria, logo atrás de mim. Na minha frente, uma parede inteira de vidro dava para uma vista privilegiada da paisagem invejável do Rio de Janeiro.
- E então, o que te traz aqui, rapaz?
De fato, não era uma pergunta complicada. É muito fácil para alguém dizer o que te traz a algum lugar. Não era pra mim. Precisei me concentrar para não engasgar nas palavras.
- Acho que sou louco, ou quem sabe tenho só um distúrbio psicológico.
Ele riu. Talvez assim como pra mim aquelas palavras soaram cuspidas, pra ele também. Ele se levantou. Sem que eu tivesse percebido de cara, me deu um copo d’água e uma caixinha com lençinhos de papel. Estranhei. Será que todo mundo vem aqui pra se lamentar da vida medíocre que leva? Não quero ser só mais um nesse consultório. Temo que eu não possa controlar isso. Assim como nada na minha vida insignificante. Medíocre.
- Fugi de casa há quatro dias, estou morando com um amigo. Meus pais aparentemente me odeiam. Transei com a minha professora de geografia na sala da diretora. Sou péssimo em Matemática. Odeio crianças. De verdade, odeio o jeito que elas andam tropeçando em si mesmas e quando babam nos seus brinquedos. E, por outro lado, acho que ter filhos é o que eu mais quero na minha vida. Você acredita, que ela ama outra pessoa? Consegue imaginar a única pessoa que extrai seu ar, faz seu coração ferver, seu corpo contrair, suas mãos transpirarem e estremecerem só por estar se aproximando? Ela ama outra pessoa...
Respirei fundo, tirei um lenço. Não estava chorando, mas algumas lagrimas pesadas caíram sem querer. Não me lembrava mais que havia alguém atrás de mim, era impossível não notar a presença de alguém naquela sala, mas eu não notei.
- Eu nunca ganhei um campeonato de futebol, nem nunca soube tocar nenhum instrumento. Nunca fui bom em nenhum jogo de videogame e sempre odiei comer cenouras e beterrabas. Não aprendi a andar de bicicleta com o meu avô. Eu nunca nem ouvi a voz dele. Não sou bonito e não canto bem. Eu sei lá... eu sou desastre. Não faço nada direito!
- Carlos, você não precisa ser um rockstar nem um jogador de futebol para ser normal. Muito menos comer legumes. E, combinemos, transar com a professora e sair de casa são coisas que todos querem fazer na sua idade, apenas não tem audácia ou destreza para isso. Você chora e isso já te faz um homem bonito. Querer ter filhos é natural, mas não precisa ser com o seu primeiro amor. Amores vêm e vão, apenas o que resta são as experiências que eles dão. Sofrer, sentir dor, choramingar, é coisa do ser humano. Somos teatrais e fantasiosos, a única diferença é que uns demonstram muito seus sentimentos e outros escondem, por vergonha. Amar e chorar por amor não é pecado algum, é uma dádiva. São poucos que amam legitimamente. A maioria só pensa estar amando. Ela não ama outra pessoa, ela está com outra pessoa. E sabe o que se leva disso tudo? Eu não sei. Porque há coisas que te ajudam a crescer e outras que só servem pra ilustrar a vida. Então, Carlos, viva.
- Aqui é consultório do Dr. Alexandre?
- Não. Aqui é a residência do Sr. Vicente e você acaba de atrapalhar o sono dele.
E a porta se fechou e minha expressão também. O consultório era na porta ao lado, percebi isso depois que colocar os óculos e descobrir que o me parecia um 2, na verdade era um 3. Pronto, 153, não tem erro. E lá estava o Dr. Alexandre, abrindo a porta, me olhando com um sorriso bucólico. Ele era alto, seu cabelo era grisalho e estava totalmente em forma para sua idade. Usava uma roupa nem casual, nem formal. A verdade é que não parecia bem um analista e sim, um empresário.
- Carlos, certo? Entre, por favor.
- Sim, obrigado.
Seu consultório tinha uma iluminação perfeita. A luz era fraca e confortável para os olhos de qualquer um. Com um gesto gentil ele apontou para um sofá estilo Luis XV no meio da sala e pediu para que eu me deitasse. O sofá bege se posicionava de maneira em que eu não pudesse ver a grande poltrona de couro que ele em instantes se sentaria, logo atrás de mim. Na minha frente, uma parede inteira de vidro dava para uma vista privilegiada da paisagem invejável do Rio de Janeiro.
- E então, o que te traz aqui, rapaz?
De fato, não era uma pergunta complicada. É muito fácil para alguém dizer o que te traz a algum lugar. Não era pra mim. Precisei me concentrar para não engasgar nas palavras.
- Acho que sou louco, ou quem sabe tenho só um distúrbio psicológico.
Ele riu. Talvez assim como pra mim aquelas palavras soaram cuspidas, pra ele também. Ele se levantou. Sem que eu tivesse percebido de cara, me deu um copo d’água e uma caixinha com lençinhos de papel. Estranhei. Será que todo mundo vem aqui pra se lamentar da vida medíocre que leva? Não quero ser só mais um nesse consultório. Temo que eu não possa controlar isso. Assim como nada na minha vida insignificante. Medíocre.
- Fugi de casa há quatro dias, estou morando com um amigo. Meus pais aparentemente me odeiam. Transei com a minha professora de geografia na sala da diretora. Sou péssimo em Matemática. Odeio crianças. De verdade, odeio o jeito que elas andam tropeçando em si mesmas e quando babam nos seus brinquedos. E, por outro lado, acho que ter filhos é o que eu mais quero na minha vida. Você acredita, que ela ama outra pessoa? Consegue imaginar a única pessoa que extrai seu ar, faz seu coração ferver, seu corpo contrair, suas mãos transpirarem e estremecerem só por estar se aproximando? Ela ama outra pessoa...
Respirei fundo, tirei um lenço. Não estava chorando, mas algumas lagrimas pesadas caíram sem querer. Não me lembrava mais que havia alguém atrás de mim, era impossível não notar a presença de alguém naquela sala, mas eu não notei.
- Eu nunca ganhei um campeonato de futebol, nem nunca soube tocar nenhum instrumento. Nunca fui bom em nenhum jogo de videogame e sempre odiei comer cenouras e beterrabas. Não aprendi a andar de bicicleta com o meu avô. Eu nunca nem ouvi a voz dele. Não sou bonito e não canto bem. Eu sei lá... eu sou desastre. Não faço nada direito!
- Carlos, você não precisa ser um rockstar nem um jogador de futebol para ser normal. Muito menos comer legumes. E, combinemos, transar com a professora e sair de casa são coisas que todos querem fazer na sua idade, apenas não tem audácia ou destreza para isso. Você chora e isso já te faz um homem bonito. Querer ter filhos é natural, mas não precisa ser com o seu primeiro amor. Amores vêm e vão, apenas o que resta são as experiências que eles dão. Sofrer, sentir dor, choramingar, é coisa do ser humano. Somos teatrais e fantasiosos, a única diferença é que uns demonstram muito seus sentimentos e outros escondem, por vergonha. Amar e chorar por amor não é pecado algum, é uma dádiva. São poucos que amam legitimamente. A maioria só pensa estar amando. Ela não ama outra pessoa, ela está com outra pessoa. E sabe o que se leva disso tudo? Eu não sei. Porque há coisas que te ajudam a crescer e outras que só servem pra ilustrar a vida. Então, Carlos, viva.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Estou incrédula, pasma, boquiaberta, chocada. E mais, estou completamente triste. Não consigo entender como as pessoas podem ser tão canalhas, individualistas, maliciosas e irracionais. Me sinto sobrecarregada e violada. O mundo não faz sentido, muito menos as pessoas que nele vivem. Quero um ombro no qual eu possa desabar. Estou cansada de como as pessoas tiram proveito de tudo e como é divertido para algumas atingir outras. Não me considero a pessoa mais altruísta do mundo, mas diante de certos eventos e circunstancias, acabo me perguntando se sou mesmo. Ninguém se importa. Todos fingem se importar.
Não se pode mais confiar em nada, nem em ninguém. O amor da sua vida, pode ser um patife. Seu melhor amigo, um desconhecido. E você é simplesmente um casto injustiçado.
A vida tá me puxando. Esta exigindo de mim uma maturidade que eu não sei se tenho e não sei se posso adquirir tão rapidamente. Preciso de tempo, pra pensar, pra respirar, pra acreditar. Queria conseguir ter a certeza de que não é tão ruim assim, que não é tão grave. Mas quanto mais penso, mais acredito que já é ruim, já é grave.
Preciso ouvir que está tudo bem. Ou que vai ficar tudo bem.
Por mais que eu seja uma adolescente com sérios problemas psicológicos, eu faria de tudo pra te resguardar. Eu amo muito você.
Não se pode mais confiar em nada, nem em ninguém. O amor da sua vida, pode ser um patife. Seu melhor amigo, um desconhecido. E você é simplesmente um casto injustiçado.
A vida tá me puxando. Esta exigindo de mim uma maturidade que eu não sei se tenho e não sei se posso adquirir tão rapidamente. Preciso de tempo, pra pensar, pra respirar, pra acreditar. Queria conseguir ter a certeza de que não é tão ruim assim, que não é tão grave. Mas quanto mais penso, mais acredito que já é ruim, já é grave.
Preciso ouvir que está tudo bem. Ou que vai ficar tudo bem.
Por mais que eu seja uma adolescente com sérios problemas psicológicos, eu faria de tudo pra te resguardar. Eu amo muito você.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Eles estão todos errados. Gostaria de não estar também. O tempo é nosso aliado, ou nosso inimigo? Se eu pudesse estar no final do túnel, saberia no que o tempo iria me transformar. Não sei o que aguardo.
Espero que ele me leve. E que me questione as vezes. Espero que ele me faça sentir saudade. E que me faça chorar por não lembrar de um beijo. Espero que ele me recompense. Que me faça perder uma agonia. Que me faça adormecer, que exija de mim paciência. Que me faça rir de algo aterrorizante que aconteceu. Que me ganhe, que me reprima.
E que recorra a mim quando eu precisar. Eu sei que recorrerei a ele.
Espero que ele me leve. E que me questione as vezes. Espero que ele me faça sentir saudade. E que me faça chorar por não lembrar de um beijo. Espero que ele me recompense. Que me faça perder uma agonia. Que me faça adormecer, que exija de mim paciência. Que me faça rir de algo aterrorizante que aconteceu. Que me ganhe, que me reprima.
E que recorra a mim quando eu precisar. Eu sei que recorrerei a ele.
quarta-feira, 24 de março de 2010
A infernal aptidão de um sonho que faz você despertar.
Passei por muito. Estou atirada no chão. Algo faleceu. Sinto nas minhas veias viajar um sangue impaciente, e no meu peito, meu coração batendo atrapalhado. Podia esperar essas minhas poucas sensações de vitalidade morrerem aqui mesmo. Nunca me senti tão aconchegada. Os ouço falar que devo levantar. Seguir em frente. Que devo ser forte, esquecer a dor, e até perdoá-la. Que devo resistir. Acho que sabem pelo o que passo, mesmo não concretizando o que há. Achar me parece tão indefinido. Eles nunca passaram por nada parecido para entender, tenho certeza disso.
Calem todos a boca! Escutem meus batimentos cardíacos. Parem de me dizer o que fazer ou sentir. Se ao menos meu corpo redarguisse aos comandos da minha cabeça...
Acabo de abri os olhos. Finalmente aquelas vozes grossas e ásperas pararam de resmungar na minha orelha. Procuro força pra levantar. Vejo o prédio, a janela do meu quarto. Lembro da queda vagamente. Nunca soube o que era voar. Subo e uma impressão de receio toma conta de mim. Não sei o que temo. Deveria estar aliviada. Mas estou infeliz, solitária, afligida. Desamparada, talvez. Senti falta da segurança de estar deitada naquele chão que acabava de me acolher. Quero respostas.
Por que estou aqui, se acabo de morrer? Ouço vozes, desta vez mais perspicazes e sérias. Corro até a janela. Vejo um caixão, fotos, pessoas choramingando. O corpo estava foragido. O meu. No quarto. Eles estavam por todo lado, correndo, desesperados. Assim como eu. Por que nenhuma sensação prazerosa não toma conta de mim? Estou atormentada. Embriagada, pra variar. Sinto como se nadasse nos móveis do meu quarto, nada é consistente ou faz sentido. Estou completamente sufocada. No meu quarto. Em mim. No meu vazio. Em mim. Me perdi.
Abro a porta. Ouço mais vozes, dessa vez extremamente alegres. Ouço uma canção antiga. Sinto. É uma festa e eu não faço a menor idéia da causa da celebração. Uma mulher está se aproximando de mim. Me abraça. Diz que sentiu saudades. “Seja forte, mais do que nunca”, ressurge a voz grossa e áspera. “Se perdoar não é um erro”. Ainda estou atordoada, ainda procuro respostas. Todos me olham. Quero respostas. Quero aquele abraço de novo. Quem era aquela senhora? Tenho sede. Tenho frio. Todos me encaram. Parecem me abrigar com seus olhares confortantes. Parecem me julgar. Nunca soube o que um olhar pudesse significar.
Não sei o porquê, mas agora todos esses olhares e sorrisos vindos de desconhecidos me trazem sossego. Ou algo parecido. Ainda infeliz e confusa. Mas em paz. Sabe quando a incerteza toma conta da sua estrutura e você se apóia a primeira coisa que te parece mais segura? Quero chorar. Fumar um cigarro. Voltar para janela. Aprender a voar. Eu não estou ausente aos meus sentimentos como costumava ser. Quero voar, preciso voar.
Cansei de ser alheia a mim mesma. Não posso me ignorar. Tento lembrar o que aconteceu antes da queda. Ouço uma voz. Ela diz que ama. Ela é calma, macia, conhecida porém esquecida. Eu sinto esta voz. Sinto muito. Nunca soube que uma voz pudesse me encantar, e ao mesmo tempo, me despedaçar tanto. Me encosto na parede. Está pesado. Me arrastar até o chão é inevitável. Não posso mais suportar esse peso. Não quero ter que agüentar.
Busco ar, ou algo que me recorde que estou viva. Quero correr. Saí correndo, esbarrando em todos. A música já deixou de ser uma balada faz tempo. Escuto um rock bem pesado, enquanto minha cabeça derrete de pressão. Corro, abro a porta, desço as escadas, corro. Grito o mais alto que consigo. Preciso impedir que isso me sufoque. Corro, grito. Chego a praia. Me jogo na areia e desabo nas minhas lágrimas. Do que eu tanto tenho medo? “Quanto mais alto você sobe, maior é a queda”, lembrou-me a voz intrigante. Quero a voz suave, quero que ela me oriente. Vejo gotas escorrerem nas palmas das minhas mãos, nos meus olhos, nos meus ombros. Nunca soube o porquê de ser forte. Deito e lamento. Tento lembrar orações, mas estou desvirtuada demais pra isso. Eu a observo. Sinto o seu aroma de longe. Me parece seguro encostar sua mão. É seguro. Eu toco, experimento, aprecio, choro, vivo. Tudo num simples contato. Olho seu rosto como quem admirasse a arte mais incomum. Gostaria poder pintar seu rosto. Menos. Gostaria poder simplesmente lembrar a quem ele pertence. Quero tocá-lo. Estou mesmo morta, tenho certeza disso agora. Me distraí.
Meus pulmões se enchem de ar e meu coração, de adrenalina. Ela senta cuidadosamente ao meu lado e com um gesto, deita minha cabeça no seu colo. Me sinto uma criança protegida nos braços da mãe. Ainda estou bêbada e não sei se isso deveria realmente estar acontecendo. Afinal, o que é isto? Sua mão encosta meu rosto. Seu cheiro invade inteiramente minha atmosfera. Mil coisas atravessam os meus olhos.
Eu não suporto o jeito no qual ela me olha, nem como agrada meus cabelos embaraçados. Muito menos como ela canta. Meu corpo explode em segundos, estou delirando. Ainda procuro respostas.
Eu não suportava viver sem aqueles efeitos. E em algum lugar dentro de mim, eu sabia disso. Sabia há muito tempo. Era isso que se passava pela minha cabeça ao voar. Não conseguia ver minha vida ir embora sem mim, nem lembrar como ela apreciava outra pessoa. Quero correr mais, mesmo sem rumo algum. Voar. Ou até mesmo viver esse momento como se ele realmente fosse o ultimo. Era desse jeito que eu imaginava o fim do meu mundo. Meu coração está mais do que nunca aberto e fragilizado.
Nunca achei que teria a mesma sorte de novo. Nunca achei que eu estivesse realmente pronta para perdê-la de vez. Nunca estive. Não estou. Seguro meu choro, perdôo minha dor, esqueço minha insegurança. Só não me obrigue a sentir essa queda de novo.
Calem todos a boca! Escutem meus batimentos cardíacos. Parem de me dizer o que fazer ou sentir. Se ao menos meu corpo redarguisse aos comandos da minha cabeça...
Acabo de abri os olhos. Finalmente aquelas vozes grossas e ásperas pararam de resmungar na minha orelha. Procuro força pra levantar. Vejo o prédio, a janela do meu quarto. Lembro da queda vagamente. Nunca soube o que era voar. Subo e uma impressão de receio toma conta de mim. Não sei o que temo. Deveria estar aliviada. Mas estou infeliz, solitária, afligida. Desamparada, talvez. Senti falta da segurança de estar deitada naquele chão que acabava de me acolher. Quero respostas.
Por que estou aqui, se acabo de morrer? Ouço vozes, desta vez mais perspicazes e sérias. Corro até a janela. Vejo um caixão, fotos, pessoas choramingando. O corpo estava foragido. O meu. No quarto. Eles estavam por todo lado, correndo, desesperados. Assim como eu. Por que nenhuma sensação prazerosa não toma conta de mim? Estou atormentada. Embriagada, pra variar. Sinto como se nadasse nos móveis do meu quarto, nada é consistente ou faz sentido. Estou completamente sufocada. No meu quarto. Em mim. No meu vazio. Em mim. Me perdi.
Abro a porta. Ouço mais vozes, dessa vez extremamente alegres. Ouço uma canção antiga. Sinto. É uma festa e eu não faço a menor idéia da causa da celebração. Uma mulher está se aproximando de mim. Me abraça. Diz que sentiu saudades. “Seja forte, mais do que nunca”, ressurge a voz grossa e áspera. “Se perdoar não é um erro”. Ainda estou atordoada, ainda procuro respostas. Todos me olham. Quero respostas. Quero aquele abraço de novo. Quem era aquela senhora? Tenho sede. Tenho frio. Todos me encaram. Parecem me abrigar com seus olhares confortantes. Parecem me julgar. Nunca soube o que um olhar pudesse significar.
Não sei o porquê, mas agora todos esses olhares e sorrisos vindos de desconhecidos me trazem sossego. Ou algo parecido. Ainda infeliz e confusa. Mas em paz. Sabe quando a incerteza toma conta da sua estrutura e você se apóia a primeira coisa que te parece mais segura? Quero chorar. Fumar um cigarro. Voltar para janela. Aprender a voar. Eu não estou ausente aos meus sentimentos como costumava ser. Quero voar, preciso voar.
Cansei de ser alheia a mim mesma. Não posso me ignorar. Tento lembrar o que aconteceu antes da queda. Ouço uma voz. Ela diz que ama. Ela é calma, macia, conhecida porém esquecida. Eu sinto esta voz. Sinto muito. Nunca soube que uma voz pudesse me encantar, e ao mesmo tempo, me despedaçar tanto. Me encosto na parede. Está pesado. Me arrastar até o chão é inevitável. Não posso mais suportar esse peso. Não quero ter que agüentar.
Busco ar, ou algo que me recorde que estou viva. Quero correr. Saí correndo, esbarrando em todos. A música já deixou de ser uma balada faz tempo. Escuto um rock bem pesado, enquanto minha cabeça derrete de pressão. Corro, abro a porta, desço as escadas, corro. Grito o mais alto que consigo. Preciso impedir que isso me sufoque. Corro, grito. Chego a praia. Me jogo na areia e desabo nas minhas lágrimas. Do que eu tanto tenho medo? “Quanto mais alto você sobe, maior é a queda”, lembrou-me a voz intrigante. Quero a voz suave, quero que ela me oriente. Vejo gotas escorrerem nas palmas das minhas mãos, nos meus olhos, nos meus ombros. Nunca soube o porquê de ser forte. Deito e lamento. Tento lembrar orações, mas estou desvirtuada demais pra isso. Eu a observo. Sinto o seu aroma de longe. Me parece seguro encostar sua mão. É seguro. Eu toco, experimento, aprecio, choro, vivo. Tudo num simples contato. Olho seu rosto como quem admirasse a arte mais incomum. Gostaria poder pintar seu rosto. Menos. Gostaria poder simplesmente lembrar a quem ele pertence. Quero tocá-lo. Estou mesmo morta, tenho certeza disso agora. Me distraí.
Meus pulmões se enchem de ar e meu coração, de adrenalina. Ela senta cuidadosamente ao meu lado e com um gesto, deita minha cabeça no seu colo. Me sinto uma criança protegida nos braços da mãe. Ainda estou bêbada e não sei se isso deveria realmente estar acontecendo. Afinal, o que é isto? Sua mão encosta meu rosto. Seu cheiro invade inteiramente minha atmosfera. Mil coisas atravessam os meus olhos.
Eu não suporto o jeito no qual ela me olha, nem como agrada meus cabelos embaraçados. Muito menos como ela canta. Meu corpo explode em segundos, estou delirando. Ainda procuro respostas.
Eu não suportava viver sem aqueles efeitos. E em algum lugar dentro de mim, eu sabia disso. Sabia há muito tempo. Era isso que se passava pela minha cabeça ao voar. Não conseguia ver minha vida ir embora sem mim, nem lembrar como ela apreciava outra pessoa. Quero correr mais, mesmo sem rumo algum. Voar. Ou até mesmo viver esse momento como se ele realmente fosse o ultimo. Era desse jeito que eu imaginava o fim do meu mundo. Meu coração está mais do que nunca aberto e fragilizado.
Nunca achei que teria a mesma sorte de novo. Nunca achei que eu estivesse realmente pronta para perdê-la de vez. Nunca estive. Não estou. Seguro meu choro, perdôo minha dor, esqueço minha insegurança. Só não me obrigue a sentir essa queda de novo.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Odeio cortar cebolas, sempre acabo cortando o dedo. Qualquer dia vou arrancá-lo da minha mão. Eu não sei cozinhar, nunca soube. Eu me queimei, como uma criança que não sabe que brincar no fogo é arriscado. Eu gosto de desafios, mesmo que no final eles acabem desafiando- me a sobreviver.
Não consigo mais lembrar de como eram aquelas cebolas feitas na frigideira por alguém tão exclusivo, talvez por alguém que nunca tenha existido. Não, existiu, pelo menos nas minhas fantasias mais doentias, mais extravagantes, as mais reais... Eu me sustentaria delas, se fosse apto a isso. Esqueci-me da melhor sensação do mundo. Vai ver é este o pretexto de estar me matando aos poucos, entre cortes e queimaduras, entre lençóis e minhas armaduras.
Eu não sinto o sangue agitar nas minhas veias, ele se foi num só corte. Nem mesmo as queimaduras na minha pele, pois agora sou de ferro. Eu me curo. Estou montada e dominada por uma armadura que não me deixa saborear nada, nem ao menos respirar. Queria poder me lançar, me libertar, sorrir, suspirar e quem sabe até a sentir. Sentir qualquer coisa, nem que esta fosse medo. Ou desprezo, desprezo por aquilo que eu sou, pelo o que eu me tornei. eu sou a chave da minha armadura, a culpada desta prisão.
E agora eu estou presa.
Presa em um sentimento. E é nesta prisão que eu me conheço e é nela que eu me assusto. Não me considero uma mais uma sobrevivente dos meus pensamentos extravagantes, mas uma derrotada. E mesmo assim, estou aqui, sóbria, ouvindo musicas que não deveria, refletindo minha existência e minhas passagens, de momentos, de coisas que ficam no fundo de nossas imaginações e que às vezes vem à tona para nos dar saudades de uma época, de algo corriqueiro, que foi e nunca mais voltará. Considero-me uma pessoa de sorte por vários aspectos, que espero não ter de citar nesse texto. Apenas sei que tenho sorte, por pelo menos ter podido sentir isso alguma vez. E fraca, estúpida, por acreditar tão friamente que nunca mais sentirei.
Acredito nas minhas emoções, mesmo que estejam todas soterradas dentro de mim. E eu tenho uma certeza: elas não mentem e não fracassam.
Não consigo mais lembrar de como eram aquelas cebolas feitas na frigideira por alguém tão exclusivo, talvez por alguém que nunca tenha existido. Não, existiu, pelo menos nas minhas fantasias mais doentias, mais extravagantes, as mais reais... Eu me sustentaria delas, se fosse apto a isso. Esqueci-me da melhor sensação do mundo. Vai ver é este o pretexto de estar me matando aos poucos, entre cortes e queimaduras, entre lençóis e minhas armaduras.
Eu não sinto o sangue agitar nas minhas veias, ele se foi num só corte. Nem mesmo as queimaduras na minha pele, pois agora sou de ferro. Eu me curo. Estou montada e dominada por uma armadura que não me deixa saborear nada, nem ao menos respirar. Queria poder me lançar, me libertar, sorrir, suspirar e quem sabe até a sentir. Sentir qualquer coisa, nem que esta fosse medo. Ou desprezo, desprezo por aquilo que eu sou, pelo o que eu me tornei. eu sou a chave da minha armadura, a culpada desta prisão.
E agora eu estou presa.
Presa em um sentimento. E é nesta prisão que eu me conheço e é nela que eu me assusto. Não me considero uma mais uma sobrevivente dos meus pensamentos extravagantes, mas uma derrotada. E mesmo assim, estou aqui, sóbria, ouvindo musicas que não deveria, refletindo minha existência e minhas passagens, de momentos, de coisas que ficam no fundo de nossas imaginações e que às vezes vem à tona para nos dar saudades de uma época, de algo corriqueiro, que foi e nunca mais voltará. Considero-me uma pessoa de sorte por vários aspectos, que espero não ter de citar nesse texto. Apenas sei que tenho sorte, por pelo menos ter podido sentir isso alguma vez. E fraca, estúpida, por acreditar tão friamente que nunca mais sentirei.
Acredito nas minhas emoções, mesmo que estejam todas soterradas dentro de mim. E eu tenho uma certeza: elas não mentem e não fracassam.
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