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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Melhor Que Não
O tempo realmente não estava muito bom, as nuvens estavam carregadas o bastante pra me fazer acreditar que logo cairia um temporal. Os relógios da cidade não marcavam um horário muito compatível com o que eu imaginava. Não vi ninguém passar por ali, nem mesmo vultos sem cheiros. Nem se quer um cachorrinho passou por aqui nessas ultimas 10 horas. Acho que estão todos dormindo. Ou comemorando algo, de alguma maneira. A cidade estava pintada de branco, e no asfalto, um mar de papeizinhos prateados cobria a rua. Tudo o que via eram algumas garrafas de bebidas e copos espalhados por todos os cantos. Algumas fitinhas do conde de Bonfim também deitavam no chão sujo do bairro. Esperei sentado, calado, observando a barra da minha calça branca encostar o chão molhado da chuva. Alguns pingos fizeram meus olhos piscarem tantas vezes, que cheguei a confundir de onde vinha tanta água. Eu segurava um copo do champagne mais caro da cidade em uma mão, e o cigarro mais forte em outra. Chorei mesmo, sem prender nem uma lágrima. Tava mesmo pensando dos dias passando muito rápido, do meu rosto ganhando uma ruga por mês. Talvez isso que me deixara tão triste. Mas triste mesmo, e talvez a grande razão desse choro maldito, era saber que nada do que eu já havia passado até então, poderia ser tomado de volta. Aprendi que precisamos perder muitas vezes antes de saber ganhar qualquer coisa. E cheguei a refletir se já tinha perdido o bastante para sem capaz de, finalmente, ganhar algo da vida em troca. Conclui que não, ainda havia muito a aprender.
Um pingo desceu devagar meu rosto, e agradeci em voz alta por algo estar me acariciando naquele momento solitário. Tirei a mochila das costas, colocando-a do meu lado. Precisava tirar um cochilo, mesmo que este fosse no meio da rua. Não queria voltar pra casa. Sentir-me-ia ainda mais solitário. Acabaria procurando - e vendo - certas coisas que não me fariam bem. Desisti da taça e apanhei a garrafa para beber no gargalo mesmo. Precisava ficar louco o bastante pra me lembrar como é que se lida com o vazio de um pensamento. Queria lembrar como era mesmo aquele tom de pele, e tudo ligado a ele. Desmanchei esses pensamentos logo que eles surgiram. Eu estava bem, não precisava deles, precisava? Bebi mais alguns goles, tudo tinha ido embora tão rápido, que me esqueci de quase todas as despedidas. Quis correr algumas quadras, quis morar no meio fio, quis chorar algo alcoólico. Quis dormir, no seu colo. Quis dizer adeus pra uma vida, quis mergulhar de corpo e alma no mar aberto. Era tudo uma grande viagem. Pensei ter feito tudo isso, e isto já me fazia satisfeito. Não sai do lugar, continuei em meus profundos goles.
Não sou mais aquela pessoa de sorrisos forçados e choros teatrais. O final feliz meio que foi se perdendo no meio dessa historia toda e achou melhor nem existir. Eu não o culpo, eu mesmo não trabalhei para que ele me acompanhasse até quando fosse preciso. Desperdicei tantas coisas ao longo do caminho, por pouco não deixo de lado tudo aquilo que sou. Por pouco, eu não sobrevivo e chego até aqui. Ah, eu odeio viradas de ano. Comemora-se um novo ano, sem mesmo saber se ele prestará pra colocar um sorriso em nosso rosto. O meu se foi há tanto, que nem me lembro como é sua aparência.
O relógio marcava cinco para meia noite. Estava chegando, e em mim a única coisa que ainda persistia existir era uma enorme falta de vontade. De viver, talvez. De amar, os outros e a mim mesmo. Também queria estar festejando estourando garrafas no meio de uma rua lotada com pessoas que eu provavelmente nunca mais iria ver na minha vida. Mas preferi guardar esses últimos minutos pra mim. Eu realmente precisava deles. Talvez muito mais do que eles precisavam de mim. Mais álcool, outro cigarro. Beijei minha própria mão. E por alguns instantes até desejei que ela estivesse dormente, só pra ter a sensação de estar beijando a mão de outra pessoa. Qualquer outra pessoa. Ri de mim mesmo ao pensar nessa bobagem. Tentei me recordar quando tinha sido a ultima vez que tinha rido com tanta sinceridade. Não me lembrei.
Um minuto. Fechei os olhos, e com os dedos entrelaçados no meu amigo Diadema Diamante, fiz o meu pedido mais elaborado. Gritei o meu pedido, esperando que alguém pudesse ouvi-lo, e quem sabe até realizá-lo.
Minha voz fez um eco melancólico. Só deu tempo de dar um sorriso libertador. E mais um gole.
00:00
Um pingo desceu devagar meu rosto, e agradeci em voz alta por algo estar me acariciando naquele momento solitário. Tirei a mochila das costas, colocando-a do meu lado. Precisava tirar um cochilo, mesmo que este fosse no meio da rua. Não queria voltar pra casa. Sentir-me-ia ainda mais solitário. Acabaria procurando - e vendo - certas coisas que não me fariam bem. Desisti da taça e apanhei a garrafa para beber no gargalo mesmo. Precisava ficar louco o bastante pra me lembrar como é que se lida com o vazio de um pensamento. Queria lembrar como era mesmo aquele tom de pele, e tudo ligado a ele. Desmanchei esses pensamentos logo que eles surgiram. Eu estava bem, não precisava deles, precisava? Bebi mais alguns goles, tudo tinha ido embora tão rápido, que me esqueci de quase todas as despedidas. Quis correr algumas quadras, quis morar no meio fio, quis chorar algo alcoólico. Quis dormir, no seu colo. Quis dizer adeus pra uma vida, quis mergulhar de corpo e alma no mar aberto. Era tudo uma grande viagem. Pensei ter feito tudo isso, e isto já me fazia satisfeito. Não sai do lugar, continuei em meus profundos goles.
Não sou mais aquela pessoa de sorrisos forçados e choros teatrais. O final feliz meio que foi se perdendo no meio dessa historia toda e achou melhor nem existir. Eu não o culpo, eu mesmo não trabalhei para que ele me acompanhasse até quando fosse preciso. Desperdicei tantas coisas ao longo do caminho, por pouco não deixo de lado tudo aquilo que sou. Por pouco, eu não sobrevivo e chego até aqui. Ah, eu odeio viradas de ano. Comemora-se um novo ano, sem mesmo saber se ele prestará pra colocar um sorriso em nosso rosto. O meu se foi há tanto, que nem me lembro como é sua aparência.
O relógio marcava cinco para meia noite. Estava chegando, e em mim a única coisa que ainda persistia existir era uma enorme falta de vontade. De viver, talvez. De amar, os outros e a mim mesmo. Também queria estar festejando estourando garrafas no meio de uma rua lotada com pessoas que eu provavelmente nunca mais iria ver na minha vida. Mas preferi guardar esses últimos minutos pra mim. Eu realmente precisava deles. Talvez muito mais do que eles precisavam de mim. Mais álcool, outro cigarro. Beijei minha própria mão. E por alguns instantes até desejei que ela estivesse dormente, só pra ter a sensação de estar beijando a mão de outra pessoa. Qualquer outra pessoa. Ri de mim mesmo ao pensar nessa bobagem. Tentei me recordar quando tinha sido a ultima vez que tinha rido com tanta sinceridade. Não me lembrei.
Um minuto. Fechei os olhos, e com os dedos entrelaçados no meu amigo Diadema Diamante, fiz o meu pedido mais elaborado. Gritei o meu pedido, esperando que alguém pudesse ouvi-lo, e quem sabe até realizá-lo.
Minha voz fez um eco melancólico. Só deu tempo de dar um sorriso libertador. E mais um gole.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Meu Codinome Beija-Flor. Só Meu.
Quando me vi, já estava lá filosofando comigo mesma, incrivelmente abismada com tamanha graça e ternura. Achei que eu fosse apenas um pássaro livre qualquer, mas de repente eu já estava encaixado em uma flor. Não era uma qualquer como eu, disso eu sempre soube. Entretanto, algo me fez voar pra longe, tão longe, que já nem poderia lhes dizer qual era gosto daquela florzinha.
Até sabia que algumas pétalas haviam sido arrancadas e que outras estavam murchas. Queria regá-la, mas nada podia fazer com toda aquela distancia. Conhecia seus planos, e nos meus sonhos, até ousei me incluir neles. Ah, como eu perdi minha cabeça...
Por culpa de uma tempestade, me abriguei no único bosque que tinha certeza estar a salvo. Por acaso, era o mesmo que temia encontrá-la.
E lá estava ela... tão desprotegida. A quem eu quero enganar? Eu também estava desacolhido e largado, muito mais que ela, acredito. Ao me aproximar, o meigo cheiro de seu pólen me extasiou e logo já estava me embriagando com seu sabor. Era tão doce, tão doce, que quanto mais me deliciava com tudo aquilo, mais algo amargo descia minha garganta. Era uma angústia inexplicável, mas não necessariamente ruim. Ah, tudo bem... eu estava com medo. Mais uma vez.
Quis tocar suas pétalas e poder cuidar delas do melhor jeito que pudesse. Era tudo muito frágil, e sabia que se algo acontecesse a ela, minha existência nada mais valeria. Mas me responde: o que é que eu sinto por você? Ou melhor, o que sente por mim? Ouvi você dizer que eu era exatamente tudo o que você sempre quis... mas acho que essa parte eu mesmo inventei e quis acreditar.
Senti meu coração bater quatro mil vezes em um só minuto, quando percebi que algo por ali era de certo modo recíproco. Não eram borboletas em minha barriga, eram apenas algumas milhões de historias nossas que haviam remexido meus sentimentos, eu estava completamente vulnerável. Completamente.
Ei, pássaros não falam. E isso não quer dizer que eles também não amem. O som do meu canto é muito agudo, e quase nulo. Mas, se por algum momento, alguém tentar ouvi-lo, o ouvirá com todo louvor e verá a pureza de cada tom. O problema é que a maioria das pessoas não se importa de verdade.
Sim, tudo isso foi apenas uma florzinha arrancada de um buque de flores maiores que me ensinou. E eu só queria estar ao lado dela, segurando delicadamente seu corpo.
Enquanto esperava seus olhos fecharem e ela cair num sono profundo, imaginei como seria no dia seguinte, quando ela não mais estivesse ao meu alcance.
Expliquem a ela, por favor, que essa de “um dia a gente se vê”, não serve pra mim.
Não há necessidade de ver o tempo passar... nem de ficar tentando fazer ele parar, ou voltar.
Reencontrei, e agora não se teria a mesma capacidade de voar.
Pra longe, por acaso...
"Quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom, e me assustei... não sou perfeito, eu não esqueço. A riqueza que nós temos, ninguém consegue perceber. E de pensar nisso tudo, eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir"
Até sabia que algumas pétalas haviam sido arrancadas e que outras estavam murchas. Queria regá-la, mas nada podia fazer com toda aquela distancia. Conhecia seus planos, e nos meus sonhos, até ousei me incluir neles. Ah, como eu perdi minha cabeça...
Por culpa de uma tempestade, me abriguei no único bosque que tinha certeza estar a salvo. Por acaso, era o mesmo que temia encontrá-la.
E lá estava ela... tão desprotegida. A quem eu quero enganar? Eu também estava desacolhido e largado, muito mais que ela, acredito. Ao me aproximar, o meigo cheiro de seu pólen me extasiou e logo já estava me embriagando com seu sabor. Era tão doce, tão doce, que quanto mais me deliciava com tudo aquilo, mais algo amargo descia minha garganta. Era uma angústia inexplicável, mas não necessariamente ruim. Ah, tudo bem... eu estava com medo. Mais uma vez.
Quis tocar suas pétalas e poder cuidar delas do melhor jeito que pudesse. Era tudo muito frágil, e sabia que se algo acontecesse a ela, minha existência nada mais valeria. Mas me responde: o que é que eu sinto por você? Ou melhor, o que sente por mim? Ouvi você dizer que eu era exatamente tudo o que você sempre quis... mas acho que essa parte eu mesmo inventei e quis acreditar.
Senti meu coração bater quatro mil vezes em um só minuto, quando percebi que algo por ali era de certo modo recíproco. Não eram borboletas em minha barriga, eram apenas algumas milhões de historias nossas que haviam remexido meus sentimentos, eu estava completamente vulnerável. Completamente.
Ei, pássaros não falam. E isso não quer dizer que eles também não amem. O som do meu canto é muito agudo, e quase nulo. Mas, se por algum momento, alguém tentar ouvi-lo, o ouvirá com todo louvor e verá a pureza de cada tom. O problema é que a maioria das pessoas não se importa de verdade.
Sim, tudo isso foi apenas uma florzinha arrancada de um buque de flores maiores que me ensinou. E eu só queria estar ao lado dela, segurando delicadamente seu corpo.
Enquanto esperava seus olhos fecharem e ela cair num sono profundo, imaginei como seria no dia seguinte, quando ela não mais estivesse ao meu alcance.
Expliquem a ela, por favor, que essa de “um dia a gente se vê”, não serve pra mim.
Não há necessidade de ver o tempo passar... nem de ficar tentando fazer ele parar, ou voltar.
Reencontrei, e agora não se teria a mesma capacidade de voar.
Pra longe, por acaso...
"Quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom, e me assustei... não sou perfeito, eu não esqueço. A riqueza que nós temos, ninguém consegue perceber. E de pensar nisso tudo, eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir"
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Sonhos Voláteis e Imprecisos
Pessoas felizes, que davam as mãos umas as outras, sorriam despreocupadas ao saudar um novo dia que logo iria nascer. As plantas permaneciam descansadas e devidamente regadas, e seus frutos continuavam quietos, porém implorando para serem colhidos e apreciados. Parecia que as respostas já não eram mais necessárias, ninguém precisava delas naquele momento. Tudo que por ali era vivido, já era o bastante. Estava tudo no seu devido lugar.
Ah, eu também estava por lá. E olha que é bem difícil alguém azarado como eu, vagar por essas bandas. Eu quis, criei e pude ter você. A realidade do seu sorriso rebatendo o meu, era grande o suficiente para que eu pudesse me perder por alguns instantes. A sua beleza era incomum e verdadeira, e por querer muito as marcas de suas digitais tatuadas por todo meu corpo nu, me forcei a acreditar que era tudo de verdade.
E então logo estava você do mesmo modo, parada em minha frente, com sua expressão completa me encarando, me fazendo chorar. Não por tristeza, mas pela poesia sedutora da pele de seu rosto, perfeitamente imaginado e pintado. Eu quis sua aproximação, me esquecendo do poder de minhas vontades por ali, quando de repente seus lábios tocaram os meus num ritmo inesperado, fazendo daquele vazio algo inexistente.
O amor já não era mais tão impossível, e a dor que com ele vinha já não me parecia tão irreversível. Meus tormentos e minhas magoas haviam voado pra longe. A vontade de me entregar a algo conhecido, porém novo, era realmente muito excitante, principalmente quando voce que me despertava essa cobiça.
Já estou com saudades, porque me vi tendo que viver na ausência de algo que nem ao menos existe, mas que sei que necessito urgentemente. E enquanto meus olhos não são preenchidos da paz e do paraíso de sua presença e meus lábios ainda tiverem que dormir na falta dos seus, continuarei a escrever coisas que nunca serão lidas por ninguém.
Ah, eu também estava por lá. E olha que é bem difícil alguém azarado como eu, vagar por essas bandas. Eu quis, criei e pude ter você. A realidade do seu sorriso rebatendo o meu, era grande o suficiente para que eu pudesse me perder por alguns instantes. A sua beleza era incomum e verdadeira, e por querer muito as marcas de suas digitais tatuadas por todo meu corpo nu, me forcei a acreditar que era tudo de verdade.
E então logo estava você do mesmo modo, parada em minha frente, com sua expressão completa me encarando, me fazendo chorar. Não por tristeza, mas pela poesia sedutora da pele de seu rosto, perfeitamente imaginado e pintado. Eu quis sua aproximação, me esquecendo do poder de minhas vontades por ali, quando de repente seus lábios tocaram os meus num ritmo inesperado, fazendo daquele vazio algo inexistente.
O amor já não era mais tão impossível, e a dor que com ele vinha já não me parecia tão irreversível. Meus tormentos e minhas magoas haviam voado pra longe. A vontade de me entregar a algo conhecido, porém novo, era realmente muito excitante, principalmente quando voce que me despertava essa cobiça.
Já estou com saudades, porque me vi tendo que viver na ausência de algo que nem ao menos existe, mas que sei que necessito urgentemente. E enquanto meus olhos não são preenchidos da paz e do paraíso de sua presença e meus lábios ainda tiverem que dormir na falta dos seus, continuarei a escrever coisas que nunca serão lidas por ninguém.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Manual Do Esquecimento
Devo precisar escrever. Certas coisas fazemos por fazer, outras por dever, outras simplesmente por poder. Devo ter uma grande necessidade em fazer isso, que eu certamente não entenderei tão brevemente.
Um idoso cantou em meus ouvidos sábias palavras, que afirmavam em sua voz serena, que só esquecemos uma mulher quando a transformamos em literatura. Meu vazio se unificou com o pouco que me restava, ainda formando um quase nada. Achei que o tempo era o nosso grande amigo, e que era ele o único capaz de apagar – ou deixar falecer – qualquer coisa.
Passei vinte e cinco anos de minha vida esperando uma resposta para minhas dores e angustias solitárias, para as pequenas perguntas que dominavam o controle do meu corpo e da minha mente, e a solução era algo tão pequeno e pouco. Não é justo. É mentira.
Tentei milhões de vezes descrevê-lo, mas sempre havia uma falha. Eu realmente quis, achei que isso pudesse me libertar, mas eu não consegui dizer exatamente como que é. Pude dizer como meu corpo reagia, como o mundo girava e até tudo aquilo que eu queria que pudesse ser possível. Mas não posso, não sou capaz de descrever o amor em sua essência.
Descrever sentimentos não te torna alheia a eles. Não os faz menos presentes, talvez ate os faça mais intenso. E quando se ama, garanto que tudo é extremo. O grande problema não é ter de lidar com aquele sentimento concreto existente, mas sim com o medo inventado de que aquela será a ultima vez que iremos poder senti-lo. E esse medo, consome tudo aquilo que há de integro em nós até ir sumindo.
Acredite, ele some. E, mais que isso, você provavelmente irá encontrá-lo novamente em alguma outra história de amor.
Não suspire muito fundo. Existe ainda uma longa estrada pela frente, que vem instantaneamente junto à carência. E é aí que nos deparamos com outra coisa que a literatura não pode mudar: aquela saudade sem fundamento. Aquele vazio sem explicação, uma sensação de perda inteiramente relevante, mas que não nos desprendemos. Estar com a pessoa amada já não é o bastante e, ao mesmo tempo, estar sozinha parece muito insuficiente.
Logo em seguida nos lembramos que temos que viver, e como que se vive. Quando até aquela lembrança mais vaga já deu um jeito de partir, a vida cobra de nos mesmos uma revanche, e não podemos recusar. Acreditar que superamos de verdade talvez seja a parte mais difícil de tudo isso. Outros passam a desacreditar no amor, a ignorar o provável sentido da vida.
Na maioria das vezes, queremos desistir. Na minoria das vezes, lutamos pela felicidade.
Nas duas opções, de alguma maneira, levamos muitos tapas na cara. Seja da vida, do amor ou de nos mesmos.
Nesta terra maldita em que vivemos, não há tempo pra pensar, não há momento nenhum no qual podemos descansar, muito menos desistir de uma batalha só por se sentir cansado.
Imagine a vida como uma luta livre. Agora imagine isso dez vezes pior.
Se não nos levantamos, se não reagimos, se não nos mantermos firmes, nós veremos o breu da pancada e a pior escuridão: a derrota mansa e aceitada.
Juro pra vocês que felicidade existe. Eu já vi. Já ate senti e pude dar a alguém. Mas, quando a felicidade foge, por que não correr atrás dela? Ela implora pela nossa atenção.
Quando os dados forem lançados novamente, não cruzem os dedos ou rezem baixinho pelo canto da boca.
Apenas acreditem.
Um idoso cantou em meus ouvidos sábias palavras, que afirmavam em sua voz serena, que só esquecemos uma mulher quando a transformamos em literatura. Meu vazio se unificou com o pouco que me restava, ainda formando um quase nada. Achei que o tempo era o nosso grande amigo, e que era ele o único capaz de apagar – ou deixar falecer – qualquer coisa.
Passei vinte e cinco anos de minha vida esperando uma resposta para minhas dores e angustias solitárias, para as pequenas perguntas que dominavam o controle do meu corpo e da minha mente, e a solução era algo tão pequeno e pouco. Não é justo. É mentira.
Tentei milhões de vezes descrevê-lo, mas sempre havia uma falha. Eu realmente quis, achei que isso pudesse me libertar, mas eu não consegui dizer exatamente como que é. Pude dizer como meu corpo reagia, como o mundo girava e até tudo aquilo que eu queria que pudesse ser possível. Mas não posso, não sou capaz de descrever o amor em sua essência.
Descrever sentimentos não te torna alheia a eles. Não os faz menos presentes, talvez ate os faça mais intenso. E quando se ama, garanto que tudo é extremo. O grande problema não é ter de lidar com aquele sentimento concreto existente, mas sim com o medo inventado de que aquela será a ultima vez que iremos poder senti-lo. E esse medo, consome tudo aquilo que há de integro em nós até ir sumindo.
Acredite, ele some. E, mais que isso, você provavelmente irá encontrá-lo novamente em alguma outra história de amor.
Não suspire muito fundo. Existe ainda uma longa estrada pela frente, que vem instantaneamente junto à carência. E é aí que nos deparamos com outra coisa que a literatura não pode mudar: aquela saudade sem fundamento. Aquele vazio sem explicação, uma sensação de perda inteiramente relevante, mas que não nos desprendemos. Estar com a pessoa amada já não é o bastante e, ao mesmo tempo, estar sozinha parece muito insuficiente.
Logo em seguida nos lembramos que temos que viver, e como que se vive. Quando até aquela lembrança mais vaga já deu um jeito de partir, a vida cobra de nos mesmos uma revanche, e não podemos recusar. Acreditar que superamos de verdade talvez seja a parte mais difícil de tudo isso. Outros passam a desacreditar no amor, a ignorar o provável sentido da vida.
Na maioria das vezes, queremos desistir. Na minoria das vezes, lutamos pela felicidade.
Nas duas opções, de alguma maneira, levamos muitos tapas na cara. Seja da vida, do amor ou de nos mesmos.
Nesta terra maldita em que vivemos, não há tempo pra pensar, não há momento nenhum no qual podemos descansar, muito menos desistir de uma batalha só por se sentir cansado.
Imagine a vida como uma luta livre. Agora imagine isso dez vezes pior.
Se não nos levantamos, se não reagimos, se não nos mantermos firmes, nós veremos o breu da pancada e a pior escuridão: a derrota mansa e aceitada.
Juro pra vocês que felicidade existe. Eu já vi. Já ate senti e pude dar a alguém. Mas, quando a felicidade foge, por que não correr atrás dela? Ela implora pela nossa atenção.
Quando os dados forem lançados novamente, não cruzem os dedos ou rezem baixinho pelo canto da boca.
Apenas acreditem.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Frutos Extremamente Cômodos
Surpreenda-me. Retire qualquer vestígio de ar do meu peito. Deixe-me sem respostas prontas. Faça-me perder noites de sono pensando em você. Não me ligue, porque eu quero esperar incansavelmente suas ligações que não chegam.
Quero me lembrar daquela sensação de estar próximo de algo que não resisto e que preciso cuidar. Lembrar-me como que é perder ou se perder por alguém. Estar perto, colado, e ainda ter a impressão de que pode escapar.
Impressione-me. Guarde seus truques pra quando eu estiver desprevenida. Fale-me qualquer besteira sincera para que eu possa dormir sorridente. Fuja de vez em quando, porque às vezes faz bem sentir um pouquinho de saudades.
Quero sentir um calor na hora mais imprópria do dia, e poder dividi-lo. Espere-me por um minuto, é o que eu preciso para estar pronta. Há muito não penso nisso, há muito desacredito em coisas assim. Mas algo me faz querer mais. E querer mais, é querer isto. E isto, eu sei, é amor.
Abrace-me, me faça esquecer de que a vida é feita de tantas dores. Lembre-me de que podemos ser felizes livremente. Quero sua mão, vamos aproveitar enquanto o sol não está se pondo. E agora sorria, estamos a um passo do paraíso.
Quero me lembrar daquela sensação de estar próximo de algo que não resisto e que preciso cuidar. Lembrar-me como que é perder ou se perder por alguém. Estar perto, colado, e ainda ter a impressão de que pode escapar.
Impressione-me. Guarde seus truques pra quando eu estiver desprevenida. Fale-me qualquer besteira sincera para que eu possa dormir sorridente. Fuja de vez em quando, porque às vezes faz bem sentir um pouquinho de saudades.
Quero sentir um calor na hora mais imprópria do dia, e poder dividi-lo. Espere-me por um minuto, é o que eu preciso para estar pronta. Há muito não penso nisso, há muito desacredito em coisas assim. Mas algo me faz querer mais. E querer mais, é querer isto. E isto, eu sei, é amor.
Abrace-me, me faça esquecer de que a vida é feita de tantas dores. Lembre-me de que podemos ser felizes livremente. Quero sua mão, vamos aproveitar enquanto o sol não está se pondo. E agora sorria, estamos a um passo do paraíso.
domingo, 14 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Eu Fico Com A Saudade, Você Com Outro Alguém
Eu perdi toda a minha ingenuidade, porque eu me senti forçada a provar pra ela que eu era madura o suficiente pra me entregar. Eu avancei no tempo, vivi vidas em anos. Comecei tudo muito cedo, concluí tudo muito rápido, intensifiquei momentos ordinários. Eu chorei quando não senti angústia, e morri várias vezes quando descobri como é que a dor é de verdade. Virei doses e doses de tequila pra poder esquecer o jeito que ela me admirava, e acabei descobrindo que todos os porres que eu tomei quando queria esquecê-la, apenas me fizeram lembrar mais.
Eu abri mão do que eu achei ser menos importante, machuquei pessoas que eu nunca tive a intenção de magoar. Inventei na minha realidade um mundo de conto de fadas, com princesa, príncipe e vilões. E acabei nulo como ele, quando pude distinguir que sonhos também podem ser destruídos quando não cuidamos deles, assim como qualquer outra coisa. Sentia-me saudável o bastante para cruzar o oceano por ela, mas me afoguei ao entrar na água.
Eu poderia abraçá-la pelo resto de minha vida, se eu ainda tivesse forças para isso. Quando ela beijava meus lábios frios, milhões de perguntas sempre me apunhalavam. Acho que o que me fez perder a coragem, foi descobrir que assim como tudo, o amor também se vai, se consome e some... e as vezes até se encontra de novo. Sendo essa ultima a menos possível de acontecer.
Fui eu quem terminou com ela, quem correu e quem chorou abrigada no vão da escada. Em nenhum momento da minha vida o meu coração esteve tão pisado como naquele. Algo em mim dizia que eu precisava ir embora, e outra parte persistia pra que eu continuasse. Eu era uma criança, não era aquela pessoa madura que eu tentei ser. Não sei como se readquire pessoas quando elas acabam se afastando por vontade própria.
Mas agora passou. Nem mesmo eu estou acreditando que consegui superar. Eu construi uma capa protetora que só eu posso arrombar. Coloquei na minha cabeça que nunca mais vou sofrer por ninguém, e espero conseguir. Acontece que seus truques ordinários já não têm efeito sobre mim, e suas mentiras já não são o suficiente pra me sustentar... eu queria mesmo era algo de verdade, algo que eu já não acho que voce possa me dar. Então, acho que se foi e ninguém percebeu.
Eu me perdi, não descobri o obvio, e acreditei em todas as mentiras aceitáveis. Eu não vi, nem senti, e não quis acreditar quando ela disse que era pra valer. Acho que eu errei quando quis tentar ver através de um vidro negro. Ou quando eu acreditei que tudo o que ela dizia fazia sentido. Ei, eu não a quero mais... e sabe por que? Porque eu descobri que eu sou uma pessoa muito melhor quando estou bem longe. Quando eu estou distante, as coisas funcionam.
Estávamos mesmo medindo audácias diferentes. Ela queria amor e eu, liberdade. E tudo o que eu queria dependia do meu suor, e foi ai que eu descobri que sou fraca demais pra coisas ligadas ao que se refere a sentimentos.
Foi aí que eu vi, que eu precisava mesmo dar uma desvirtuada.
Eu abri mão do que eu achei ser menos importante, machuquei pessoas que eu nunca tive a intenção de magoar. Inventei na minha realidade um mundo de conto de fadas, com princesa, príncipe e vilões. E acabei nulo como ele, quando pude distinguir que sonhos também podem ser destruídos quando não cuidamos deles, assim como qualquer outra coisa. Sentia-me saudável o bastante para cruzar o oceano por ela, mas me afoguei ao entrar na água.
Eu poderia abraçá-la pelo resto de minha vida, se eu ainda tivesse forças para isso. Quando ela beijava meus lábios frios, milhões de perguntas sempre me apunhalavam. Acho que o que me fez perder a coragem, foi descobrir que assim como tudo, o amor também se vai, se consome e some... e as vezes até se encontra de novo. Sendo essa ultima a menos possível de acontecer.
Fui eu quem terminou com ela, quem correu e quem chorou abrigada no vão da escada. Em nenhum momento da minha vida o meu coração esteve tão pisado como naquele. Algo em mim dizia que eu precisava ir embora, e outra parte persistia pra que eu continuasse. Eu era uma criança, não era aquela pessoa madura que eu tentei ser. Não sei como se readquire pessoas quando elas acabam se afastando por vontade própria.
Mas agora passou. Nem mesmo eu estou acreditando que consegui superar. Eu construi uma capa protetora que só eu posso arrombar. Coloquei na minha cabeça que nunca mais vou sofrer por ninguém, e espero conseguir. Acontece que seus truques ordinários já não têm efeito sobre mim, e suas mentiras já não são o suficiente pra me sustentar... eu queria mesmo era algo de verdade, algo que eu já não acho que voce possa me dar. Então, acho que se foi e ninguém percebeu.
Eu me perdi, não descobri o obvio, e acreditei em todas as mentiras aceitáveis. Eu não vi, nem senti, e não quis acreditar quando ela disse que era pra valer. Acho que eu errei quando quis tentar ver através de um vidro negro. Ou quando eu acreditei que tudo o que ela dizia fazia sentido. Ei, eu não a quero mais... e sabe por que? Porque eu descobri que eu sou uma pessoa muito melhor quando estou bem longe. Quando eu estou distante, as coisas funcionam.
Estávamos mesmo medindo audácias diferentes. Ela queria amor e eu, liberdade. E tudo o que eu queria dependia do meu suor, e foi ai que eu descobri que sou fraca demais pra coisas ligadas ao que se refere a sentimentos.
Foi aí que eu vi, que eu precisava mesmo dar uma desvirtuada.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Um Recado Para O Renato
Uns dizem que quem procura acha, e outros, que só achamos quando paramos de procurar. Estou num quebra-cabeça que não posso terminar, pois já perdi muitas peças. Prefiro acreditar que existe uma saída, porque sempre existe uma pra tudo. Sempre ouvi dizer que a saída somos nós mesmos. Olha, serei bem sincera. Eu revirei meus mundos, coloquei tudo de cabeça para baixo, derrubei promessas e construí muitos sonhos, e isso tudo pra descobrir que, na maioria das vezes, as palavras não significam absolutamente nada.
Eu também sempre precisei de um pouco de carinho, mas acho que o afastei tantas vezes, que hoje nem sei em qual mão procurá-lo. Eu também só quis tirar disso alguns sorrisos, algumas lembranças vagas, no entanto acho que acabei arrastando as coisas, desfazendo-as. Minha doença é incurável, pois a vejo em cada coisa que toco.
Amor já não me parece uma resposta convincente. Não acredito mais nele, não por enquanto. Ainda está tudo remexido, e como uma invenção de um sentimento sincero. Parece que alguma coisa tem mudado muito rápido aqui dentro.Pensamentos, momentos, instantes, pontadas, vergonhas, inseguranças, promessas, vozes, mulheres, carinhos, rancores, amores... tudo entrando na minha cabeça e sendo evacuado pela minha alma. Deveria ter acreditado quando disse que mentir é fácil demais.
Ninguém viu, tenho certeza. Acho que nem mesmo eu. Deveriam ter visto, quem sabe assim eles se sensibilizassem com meus planos. Eu nem tinha começado a viver, e já estavam todos lá, com metralhadoras nas mãos e olhos hostis. Era mesmo muito cedo, eu sei. Mas eu precisava jogar coisas no ventilador pra ver se as pessoas tirariam por um momento as mãos dos olhos, pra ver o mundo. Vocês são cegos e sem sentimentos, não é possível.
já não faz mais diferença se as coisas que sinto são vazias ou não, já que não há ninguém pra ouvir minhas historias sonolentas. O que eu quero não é um abraço, beijo, ou que segure meu rosto com os punhos firmes! Eu quero os sentimentos que acompanham eles, e quero muito. E eu quero agora. É, eu acho que era mesmo tudo em vão e ninguém sabia.
Também me partiram em dois, também ridicularizaram meus sentimentos. A pobreza deles não os faz serem banais, mas ingênuos demais. E longe estarão quando eu descobrir como se faz para vencê-los, ou achar as peças que faltam e até metade que se foi.
Lembre-se: quando somos derrotados em uma batalha, devemos mostrar a dor que sentimos e gritar pelos cortes feitos, e não se dizer forte e revidar. Acho que a maior vitoria que existe é estar no fundo do poço, no fim do mundo, e poder voltar.
"Essa saudade, eu sei de cor"
Eu também sempre precisei de um pouco de carinho, mas acho que o afastei tantas vezes, que hoje nem sei em qual mão procurá-lo. Eu também só quis tirar disso alguns sorrisos, algumas lembranças vagas, no entanto acho que acabei arrastando as coisas, desfazendo-as. Minha doença é incurável, pois a vejo em cada coisa que toco.
Amor já não me parece uma resposta convincente. Não acredito mais nele, não por enquanto. Ainda está tudo remexido, e como uma invenção de um sentimento sincero. Parece que alguma coisa tem mudado muito rápido aqui dentro.Pensamentos, momentos, instantes, pontadas, vergonhas, inseguranças, promessas, vozes, mulheres, carinhos, rancores, amores... tudo entrando na minha cabeça e sendo evacuado pela minha alma. Deveria ter acreditado quando disse que mentir é fácil demais.
Ninguém viu, tenho certeza. Acho que nem mesmo eu. Deveriam ter visto, quem sabe assim eles se sensibilizassem com meus planos. Eu nem tinha começado a viver, e já estavam todos lá, com metralhadoras nas mãos e olhos hostis. Era mesmo muito cedo, eu sei. Mas eu precisava jogar coisas no ventilador pra ver se as pessoas tirariam por um momento as mãos dos olhos, pra ver o mundo. Vocês são cegos e sem sentimentos, não é possível.
já não faz mais diferença se as coisas que sinto são vazias ou não, já que não há ninguém pra ouvir minhas historias sonolentas. O que eu quero não é um abraço, beijo, ou que segure meu rosto com os punhos firmes! Eu quero os sentimentos que acompanham eles, e quero muito. E eu quero agora. É, eu acho que era mesmo tudo em vão e ninguém sabia.
Também me partiram em dois, também ridicularizaram meus sentimentos. A pobreza deles não os faz serem banais, mas ingênuos demais. E longe estarão quando eu descobrir como se faz para vencê-los, ou achar as peças que faltam e até metade que se foi.
Lembre-se: quando somos derrotados em uma batalha, devemos mostrar a dor que sentimos e gritar pelos cortes feitos, e não se dizer forte e revidar. Acho que a maior vitoria que existe é estar no fundo do poço, no fim do mundo, e poder voltar.
"Essa saudade, eu sei de cor"
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Let's Not Let A Good Thing Die
Você chegou do nada, atrapalhando o que já estava confuso. Fumando um cigarro de filtro amarelo, com ocasionais caretas após aquelas suas tragadas violentas. Revirando as coisas que aqui dentro já estavam bagunçadas por si só. Voce me trata de um jeito que eu não to acostumada, e me faz sentir coisas estranhas o tempo todo. Não estou preparada pra dizer nada, e fiz disso uma desculpa justa para não me mexer.E essa sensação de culpa me domina, mesmo eu tendo a certeza de que em nenhum momento deixei de ser verdadeira. Me dá um tempo pra respirar, preciso parar para entender bem o que tem acontecido. É que agora a indiferença tem maltratado um pouco, e que o estava apertado, passa a esmagar. Não diga mais nada por enquanto, porque talvez isso só confunda ou me machuque mais.Mas também não é pra sair assim, andando, como se não tivesse me visto em sua frente falando essas bobagens. Te beijaria, se isso me fizesse sentir mais próxima de algo que não existe - no entanto que imagino com tanta facilidade - mas sei que isso não me ajudaria em nada. Incomoda pensar que as mesmas coisas se repetem incansavelmente com pessoas distintas, e que tudo será diferente do que eu conheço. Cansei de ser colorida, e de repente transparente e invisível para você. Diga-me que somos mais fortes que isso, amigo. Preciso ouvir de você!
“I can`t walk out, because I love you too much, baby”
“I can`t walk out, because I love you too much, baby”
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